domingo, 6 de janeiro de 2013

04.01 Voltando a casa.

Acordamos um pouco mais tarde do previsto, por conta do incidente de ontem que deixaram todos exaustos. Acordamos, tomamos café, fomos ao mercado, preparei uns lanches para Paulo e com dor no coração, despedimo-nos de Cusco, uma das cidades mais impressionantes que já conheci. Já viajei muito, mas essa viagem, com certeza, teve um sentido especial. Quem imaginaria viagem sem shopping, sem compras alucinantes kkkk??? Em Cusco, nada disso é importante. A magia da cidade e seus arredores já lhe deixam pleno e a vontade mesmo é de ficar mais um bocadinho para provar um pouco mais do que aquele lugar tem pra oferecer. Mas, enfim, tínhamos compromissos que nos chamavam à casa. Saímos de Cusco por volta de 8h30min.









A viagem de volta, apesar de ser mais rápida, pois estaremos descendo a maior parte do tempo, é tão linda quanto a viagem de ida, e as máquinas não conseguem parar de tirar fotos. Llamas no caminho, as senhoras e suas roupas coloridas, as montanhas, a cordilheira, a linda paisagem, quando verei tudo aquilo de novo?






Mais uma vez, Paulo foi o escolhido para subir e descer a cordilheira. Chegamos rápido a Abra Pirhuayani (4.725m). O dia estava lindo, ensolarado e até um pouco quente. Como haviam me dito, depois de 3 dias em Cusco, seu corpo se acostuma à altitude e nenhum cuidado extra precisa ser tomado. Fora a nossa colega Yanna (que tem asma), não sentimos absolutamente nada. Nem parecia que estávamos tão alto, sem chá, sem folha de coca, sem oxigênio: Nada!









Chegamos a Puerto Maldonado por volta de 4h30min. Aqui tinha sido nossa dormida na vinda, mas como era muito cedo, de comum acordo, resolvemos esticar até Brasileia no Brasil. O grande erro que cometemos foi esquecer que tínhamos um dia longo de estrada e que para isso precisaríamos de soles. O Peru não é um lugar onde mastercard e visa são como dinheiro. Em muitos, mas muitos lugares só se aceita dinheiro, cash!. Procuramos um posto de gasolina que aceitasse cartão, pois tínhamos torrado todos os soles em Cusco, justamente para não ir para casa com dinheiro Peruano (grande vacilo!). Não encontramos nenhum posto, então Paulo sacou dinheiro em um ATM, o que, mesmo em cidades pequenas, é bem fácil de encontrar.



Continuamos nossa viagem rumo a Brasileia, na fronteira com a Bolívia. Mais um contratempo: Chegamos a Iñapari às 7h 20min, ou seja, 20 minutinhos depois de fechada a fronteira!!!!! Isso mesmo: Lembre-se, a fronteira fica aberta de 8h as 19h. Impossível ter os documentos carimbados antes ou depois desse horário. Como entramos com passaporte e lá constava que ficaríamos até dia 06.01, se não carimbássemos a saída, teríamos que pagar 1 dólar por dia de multa, caso voltássemos ao Peru em outra oportunidade. E isso não era o pior problema, pois poderíamos voltar com nossas carteiras de identidade e aí não haveria empecilho algum para nossa entrada, pois não há nada registrado digitalmente, apenas o carimbo do passaporte nos entregava!!! Mas e o carro??? O carro também teria que passar por vistoria e ser dada sua baixa! E a SUNAT (Receita Federal do Peru) estava fechada. O jeito foi dormir em Assis Brasil.

Pense em uma cidade carente! Os hotéis, na verdade, eram casas de família que acolhiam viajantes. Felizmente, encontramos um local limpinho, e cujo dono era um senhor bem simpático. Pousada Dois Irmãos! Esta nos salvou de ter que dormir em Iñapari, sem soles, e sem conhecer nada do lugar.

Mas a noite não tinha acabado... Ao pararmos o carro senti um cheiro muito forte de gasolina e avisei logo ao Paulo que verificou que o tanque de gasolina tinha furado...

Aqui vale um desabafo bem indignado: É uma verdadeira vergonha ver o estado de nossas estradas. Viajamos no Peru, subindo montanhas e indo a lugares que nunca imaginávamos ser possível. Eles contam com estradas perfeitas, sem buracos, bem sinalizadas tanto à noite quanto de dia. Além disso, possuem malha ferroviária que nos possibilita o transporte também. E no Brasil???? É só atravessar a fronteira que começam os buracos, a falta de iluminação e sinalização. Um verdadeiro descaso com um povo que paga seus impostos, que trabalha e perde vidas nessas mesmas estradas, por conta da ineficiência e roubalheira dos nossos políticos. Triste realidade! Muito Triste mesmo.

E foi isso o que aconteceu conosco, assim que atravessamos a fronteira, passamos por um trecho da estrada onde o asfalto tinha cedido e um barranco se formado no meio. Como estava escuro, Paulo nada viu e saiu arrastando o fundo do carro e furando o tanque de gasolina!

Com o dono da Pousada, conseguimos durepox (lembrei do meu pai que usava durepox para tudo kkk) e conseguimos estancar o vazamento. Não seria a solução definitiva, mas dava para parar e tentar dormir um pouco até o dia seguinte, pois àquela hora, naquela cidadezinha, nada estava aberto.

Boa sorte pra gente amanhã.

Um comentário:

  1. Vivendo, aprendendo e utilizando o que aprendeu com o pai quando você era criança, né Rena!!!!!

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