A viagem de volta, apesar de ser
mais rápida, pois estaremos descendo a maior parte do tempo, é tão linda quanto
a viagem de ida, e as máquinas não conseguem parar de tirar fotos. Llamas no
caminho, as senhoras e suas roupas coloridas, as montanhas, a cordilheira, a
linda paisagem, quando verei tudo aquilo de novo?
Mais uma vez, Paulo foi o
escolhido para subir e descer a cordilheira. Chegamos rápido a Abra Pirhuayani
(4.725m). O dia estava lindo, ensolarado e até um pouco quente. Como haviam me
dito, depois de 3 dias em Cusco, seu corpo se acostuma à altitude e nenhum
cuidado extra precisa ser tomado. Fora a nossa colega Yanna (que tem asma), não
sentimos absolutamente nada. Nem parecia que estávamos tão alto, sem chá, sem
folha de coca, sem oxigênio: Nada!
Chegamos a Puerto Maldonado por
volta de 4h30min. Aqui tinha sido nossa dormida na vinda, mas como era muito cedo,
de comum acordo, resolvemos esticar até Brasileia no Brasil. O grande erro que
cometemos foi esquecer que tínhamos um dia longo de estrada e que para isso
precisaríamos de soles. O Peru não é um lugar onde mastercard e visa são como
dinheiro. Em muitos, mas muitos lugares só se aceita dinheiro, cash!.
Procuramos um posto de gasolina que aceitasse cartão, pois tínhamos torrado
todos os soles em Cusco, justamente para não ir para casa com dinheiro Peruano
(grande vacilo!). Não encontramos nenhum posto, então Paulo sacou dinheiro em
um ATM, o que, mesmo em cidades pequenas, é bem fácil de encontrar.
Continuamos nossa viagem rumo a
Brasileia, na fronteira com a Bolívia. Mais um contratempo: Chegamos a Iñapari
às 7h 20min, ou seja, 20 minutinhos depois de fechada a fronteira!!!!! Isso
mesmo: Lembre-se, a fronteira fica aberta de 8h as 19h. Impossível ter os
documentos carimbados antes ou depois desse horário. Como entramos com
passaporte e lá constava que ficaríamos até dia 06.01, se não carimbássemos a
saída, teríamos que pagar 1 dólar por dia de multa, caso voltássemos ao Peru em
outra oportunidade. E isso não era o pior problema, pois poderíamos voltar com
nossas carteiras de identidade e aí não haveria empecilho algum para nossa
entrada, pois não há nada registrado digitalmente, apenas o carimbo do passaporte
nos entregava!!! Mas e o carro??? O carro também teria que passar por vistoria
e ser dada sua baixa! E a SUNAT (Receita Federal do Peru) estava fechada. O
jeito foi dormir em Assis Brasil.
Pense em uma cidade carente! Os hotéis,
na verdade, eram casas de família que acolhiam viajantes. Felizmente,
encontramos um local limpinho, e cujo dono era um senhor bem simpático. Pousada
Dois Irmãos! Esta nos salvou de ter que dormir em Iñapari, sem soles, e sem
conhecer nada do lugar.
Mas a noite não tinha acabado... Ao
pararmos o carro senti um cheiro muito forte de gasolina e avisei logo ao Paulo
que verificou que o tanque de gasolina tinha furado...
Aqui vale um desabafo bem
indignado: É uma verdadeira vergonha ver o estado de nossas estradas. Viajamos
no Peru, subindo montanhas e indo a lugares que nunca imaginávamos ser
possível. Eles contam com estradas perfeitas, sem buracos, bem sinalizadas
tanto à noite quanto de dia. Além disso, possuem malha ferroviária que nos
possibilita o transporte também. E no Brasil???? É só atravessar a fronteira
que começam os buracos, a falta de iluminação e sinalização. Um verdadeiro
descaso com um povo que paga seus impostos, que trabalha e perde vidas nessas
mesmas estradas, por conta da ineficiência e roubalheira dos nossos políticos.
Triste realidade! Muito Triste mesmo.
E foi isso o que aconteceu conosco,
assim que atravessamos a fronteira, passamos por um trecho da estrada onde o
asfalto tinha cedido e um barranco se formado no meio. Como estava escuro,
Paulo nada viu e saiu arrastando o fundo do carro e furando o tanque de
gasolina!
Com o dono da Pousada,
conseguimos durepox (lembrei do meu pai que usava durepox para tudo kkk) e conseguimos
estancar o vazamento. Não seria a solução definitiva, mas dava para parar e
tentar dormir um pouco até o dia seguinte, pois àquela hora, naquela
cidadezinha, nada estava aberto.
Boa sorte pra gente amanhã.
Vivendo, aprendendo e utilizando o que aprendeu com o pai quando você era criança, né Rena!!!!!
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