domingo, 6 de janeiro de 2013

05.01 Enfim, no Brasil, com direito a comprinhas na Bolívia.


Dormimos bem e quando acordamos, nossos amigos já tinham saído em busca de uma oficina. Tomamos um café da manhã bem caseiro com um queijo delicioso daqueles que só encontramos em cidades do interior (tratei logo de comprar um quilo pra levar). Descobrimos, então, que em Assis Brasil nada poderia ser feito. Teríamos que ir até Brasileia mesmo para resolver o problema do carro. Era o que eu e Paulo imaginávamos, pois, como disse, Assis Brasil é uma cidade bem pequena e carente.

Em Assis Brasil - Acre

Em Assis Brasil - Acre

Pracinha da cidade
Compramos um reservatório e colocamos 10 litros de gasolina, caso o vazamento continuasse. Voltamos a Iñapari, carimbamos os passaportes, demos baixa na saída do carro (fiz logo amizade com o senhor da SUNAT e nem precisou fazer vistoria nem nada. Povo muito simpático mesmo!). 

Nós que somos gratos, PERU
Tudo pronto, continuamos viagem. Dessa vez, Demi foi ao volante. Chegamos a Brasileia por volta de 10h e logo encontramos uma boa oficina. O mecânico informou que tínhamos que comprar uma vedação mais forte que durepox, Vedashock. Compramos e tivemos que esperar até 3h até que secasse e pudéssemos continuar viagem. Demi e Yanna foram almoçar e descansar em uma pousada lá perto. Eu e Paulo, como tínhamos comido muitos lanches na estrada resolvemos pegar um táxi e ir a Bolívia (onde tudo é bem mais barato, por conta de isenções fiscais), comprar uns vinhos, chocolates, mantas e minha panela elétrica de arroz que há muito queria. Impressionante, como em tudo sempre há um lado bom. Voltamos cedo e esperamos até o tanque secar. Já eram 3h quando saímos de Brasileia.

Atravessando para as compras em Cobija - Bolívia
A viagem foi tranquila, com os buracos que já nos são conhecidos e a falta de sinalização que nos fez errar caminho e passar por dentro da cidade de Rio Branco sem necessidade. Mas... fazer o quê: Isto é Brasil! Pontes maravilhosas??? Não... Aqui, a gente atravessa de balsa mesmo. Isso sim é modernidade (ironia e revolta ao nível 100!).


Chegamos a Porto Velho à meia noite. Volta tensa, com muitos imprevistos, mas nada que estrague nossa viagem maravilhosa, com a companhia agradável de amigos queridos, passeios magníficos e o privilégio de ter tido contato com o povo e a cultura peruana tão importantes para a história de nossa civilização. Valeu a pena, e com certeza, essa aventura terá bis!
Beijos e até a próxima.

04.01 Voltando a casa.

Acordamos um pouco mais tarde do previsto, por conta do incidente de ontem que deixaram todos exaustos. Acordamos, tomamos café, fomos ao mercado, preparei uns lanches para Paulo e com dor no coração, despedimo-nos de Cusco, uma das cidades mais impressionantes que já conheci. Já viajei muito, mas essa viagem, com certeza, teve um sentido especial. Quem imaginaria viagem sem shopping, sem compras alucinantes kkkk??? Em Cusco, nada disso é importante. A magia da cidade e seus arredores já lhe deixam pleno e a vontade mesmo é de ficar mais um bocadinho para provar um pouco mais do que aquele lugar tem pra oferecer. Mas, enfim, tínhamos compromissos que nos chamavam à casa. Saímos de Cusco por volta de 8h30min.









A viagem de volta, apesar de ser mais rápida, pois estaremos descendo a maior parte do tempo, é tão linda quanto a viagem de ida, e as máquinas não conseguem parar de tirar fotos. Llamas no caminho, as senhoras e suas roupas coloridas, as montanhas, a cordilheira, a linda paisagem, quando verei tudo aquilo de novo?






Mais uma vez, Paulo foi o escolhido para subir e descer a cordilheira. Chegamos rápido a Abra Pirhuayani (4.725m). O dia estava lindo, ensolarado e até um pouco quente. Como haviam me dito, depois de 3 dias em Cusco, seu corpo se acostuma à altitude e nenhum cuidado extra precisa ser tomado. Fora a nossa colega Yanna (que tem asma), não sentimos absolutamente nada. Nem parecia que estávamos tão alto, sem chá, sem folha de coca, sem oxigênio: Nada!









Chegamos a Puerto Maldonado por volta de 4h30min. Aqui tinha sido nossa dormida na vinda, mas como era muito cedo, de comum acordo, resolvemos esticar até Brasileia no Brasil. O grande erro que cometemos foi esquecer que tínhamos um dia longo de estrada e que para isso precisaríamos de soles. O Peru não é um lugar onde mastercard e visa são como dinheiro. Em muitos, mas muitos lugares só se aceita dinheiro, cash!. Procuramos um posto de gasolina que aceitasse cartão, pois tínhamos torrado todos os soles em Cusco, justamente para não ir para casa com dinheiro Peruano (grande vacilo!). Não encontramos nenhum posto, então Paulo sacou dinheiro em um ATM, o que, mesmo em cidades pequenas, é bem fácil de encontrar.



Continuamos nossa viagem rumo a Brasileia, na fronteira com a Bolívia. Mais um contratempo: Chegamos a Iñapari às 7h 20min, ou seja, 20 minutinhos depois de fechada a fronteira!!!!! Isso mesmo: Lembre-se, a fronteira fica aberta de 8h as 19h. Impossível ter os documentos carimbados antes ou depois desse horário. Como entramos com passaporte e lá constava que ficaríamos até dia 06.01, se não carimbássemos a saída, teríamos que pagar 1 dólar por dia de multa, caso voltássemos ao Peru em outra oportunidade. E isso não era o pior problema, pois poderíamos voltar com nossas carteiras de identidade e aí não haveria empecilho algum para nossa entrada, pois não há nada registrado digitalmente, apenas o carimbo do passaporte nos entregava!!! Mas e o carro??? O carro também teria que passar por vistoria e ser dada sua baixa! E a SUNAT (Receita Federal do Peru) estava fechada. O jeito foi dormir em Assis Brasil.

Pense em uma cidade carente! Os hotéis, na verdade, eram casas de família que acolhiam viajantes. Felizmente, encontramos um local limpinho, e cujo dono era um senhor bem simpático. Pousada Dois Irmãos! Esta nos salvou de ter que dormir em Iñapari, sem soles, e sem conhecer nada do lugar.

Mas a noite não tinha acabado... Ao pararmos o carro senti um cheiro muito forte de gasolina e avisei logo ao Paulo que verificou que o tanque de gasolina tinha furado...

Aqui vale um desabafo bem indignado: É uma verdadeira vergonha ver o estado de nossas estradas. Viajamos no Peru, subindo montanhas e indo a lugares que nunca imaginávamos ser possível. Eles contam com estradas perfeitas, sem buracos, bem sinalizadas tanto à noite quanto de dia. Além disso, possuem malha ferroviária que nos possibilita o transporte também. E no Brasil???? É só atravessar a fronteira que começam os buracos, a falta de iluminação e sinalização. Um verdadeiro descaso com um povo que paga seus impostos, que trabalha e perde vidas nessas mesmas estradas, por conta da ineficiência e roubalheira dos nossos políticos. Triste realidade! Muito Triste mesmo.

E foi isso o que aconteceu conosco, assim que atravessamos a fronteira, passamos por um trecho da estrada onde o asfalto tinha cedido e um barranco se formado no meio. Como estava escuro, Paulo nada viu e saiu arrastando o fundo do carro e furando o tanque de gasolina!

Com o dono da Pousada, conseguimos durepox (lembrei do meu pai que usava durepox para tudo kkk) e conseguimos estancar o vazamento. Não seria a solução definitiva, mas dava para parar e tentar dormir um pouco até o dia seguinte, pois àquela hora, naquela cidadezinha, nada estava aberto.

Boa sorte pra gente amanhã.

03.01 Realizando um sonho: Visita a Machu Picchu

Não é tarefa fácil chegar a um lugar tão magnífico como Machu Picchu, mas com certeza, todo esforço é válido. Ainda pensei se deveria ir ou não, mas acordei tão bem, e para mim era simplesmente inconcebível estar no Peru e não visitar a cidade Inca mais famosa do mundo, uma das 7 maravilhas do mundo.

Acordamos por volta de 4 da manhã, lanchamos algo que tínhamos comprado no mercado no dia anterior, porque obviamente o café da manhã, àquela hora, não seria servido no hotel. Nosso guia chegou pontualmente às 5h e levou-nos ao ônibus que nos transportaria até Ollantaytambo, onde pegaríamos um trem até Águas Calientes e, de lá, um ônibus até Machu Picchu. O frio estava intenso, mas a emoção falava mais alto!

No ônibus para Ollantaytambo 5 da manhã.


O passeio não é barato: 250 dólares por pessoa e inclui as passagens de ida e volta de ônibus a Ollantaytambo (mais ou menos 2 horas de viagem), a viagem de trem (mais ou menos 1 hora, a viagem de ônibus de Águas Calientes até Machu Picchu (mais ou menos 20 min), a entrada a Machu Picchu e os serviços de um guia que nos acompanha em mais de duas horas de passeio na montanha.


Na estação de trem

Já no trem rumo à Águas Calientes



Correnteza sempre forte da Cordilheira

Lanchinho


Chegamos a Machu Picchu, a cidade do Inca Pachacútec (que em quéchua significa “Montanha Velha”), por volta de 10h00min e ficamos lá até 14h00min, sempre acompanhados do guia e do nosso grupo. Lá, diferentemente de Cusco, estava bem quente e pegamos um bronze daqueles. A dica é levar roupas de frio (pois, tanto na saída de Cusco quando na volta à cidade, a temperatura está muito baixa), e deixá-las no guarda volumes já na entrada de Machu Picchu (5 soles). Ahh, e leve água, pois na montanha não se vende nada, é claro!






O lugar impressiona por sua grandiosidade, perfeição e conservação. As histórias contadas pelo guia acerca daquele povo que conseguiu construir uma cidade em cima de uma montanha, na cordilheira do Andes, rodeada por rio e outras montanhas ainda mais altas, deixam tudo mais maravilhoso. Na cidade encontramos diferentes divisões como o Sagrado, onde fica Intiwatana, o Templo do Sol e o Templo das Três Janelas; o dos Sacerdotes e da Nobreza; e o “bairro dos agricultores”. Cada um com sua arquitetura específica. O fim daquela civilização ninguém sabe ao certo como se deu, mas as possibilidades seriam uma grande seca, ou doenças como febre amarela e malária. O interessante é que quase todos os restos mortais encontrados eram de mulheres, o que, segundo o guia, leva a crer que os homens estavam em busca de alimento, água ou algo que fosse necessário para a população.




Como os Incas chegaram àquela montanha, como cultivaram e armazenaram seus alimentos, como utilizavam o sol para o cultivo e para terem noção do tempo, como a montanha foi encontrada, o porquê de estar tão intacta, suas crenças, seu lazer, tudo era novo, diferente e incrível para nós. 


















Sentimos-nos pequenos, e ouso até dizer meio bobos, pois com toda nossa tecnologia não conseguimos fazer muito do que há tanto tempo foi feito por aquele povo. Acho que a maior diferença entre nós e eles é o respeito pela natureza, coisa que há muito perdemos!  Depois que acaba o tour, você pode ficar mais tempo na montanha, mas como estávamos morrendo de fome e bem cansados, resolvemos deixar aquela maravilhosa cidade.

Almoçamos em Águas Calientes. Pedimos uma deliciosa Truta (35 soles), que é um prato bem comum nessa região do Peru. Que saboroso. Lembrou-me muito o salmão (Na verdade, são da mesma família). Como nosso trem de volta só sairia às 18h45min, (tarde assim não por escolha nossa, mas porque os trens estão sempre lotados, e se você compra sem muita antecedência, não tem muita opção de horário), aproveitamos o tempo restante para conhecer a cidade que é cheinha de pousadas, bares, restaurantes e lojas de artesanato. Não chegamos a entrar no local dos Banhos Termais (20 minutos andando do centro de Águas Calientes). Chegamos à entrada, mas como não tínhamos levado roupa de banho, demos meia volta. A entrada custa 10 soles e você pode alugar toalhas no caminho.








Saímos às 19h45min em ponto. O serviço da Peru Rail é muito bom. Assentos marcados, lanchinho (bem básico) no caminho e conforto fazem a viagem bem agradável, mesmo estando todos exaustos. O trem nos levou a Ollantaytambo, onde nosso ônibus nos esperava. O plano era sair às 20h e chegar por volta de 22h, mas só chegamos à meia noite! Vou contar o que aconteceu: os passeios são todos terceirizados, então, vale dizer que nosso agente de viagens, o Carlos, nada teve a ver com o que aconteceu. A confusão toda foi que o pessoal responsável pelos ônibus (Lucy Bus) perdeu o controle no número de tickets vendidos e o resultado foi que um grupo de brasileiros ficou sem transporte de volta a Cusco. Revoltados e digamos, pouco racionais, o bando resolveu levantar a corrente da saída do estacionamento e fazer uma barricada humana para impedir que partíssemos. Éramos o último ônibus!!! Resumindo, depois de muita briga entre o nosso grupo, composto de argentinos, peruanos, brasileiros, japoneses e outros povos (briga com direito a porrada entre o argentino do nosso grupo e o brasileiro louco do outro lado; mulher apanhando, pois a argentina também levou uns sarrafos), muito stress e muitas horas depois, conseguimos sair às 22h. Só saímos porque o responsável pelos ônibus (que tinha desaparecido) deve ter tido conhecimento da confusão que se instalara e resolveu dar o ar da graça e pagar uma van para levar os brasileiros a Cusco. Coisa simples que poderia ter sido resolvida bem antes, sem nenhuma daquelas cenas lastimáveis que tivemos que presenciar. Cartão vermelho para o serviço de ônibus Lucy Bus e para os brasileiros vândalos que ameaçaram até apedrejar nosso ônibus, caso forçássemos a saída. Chegamos a Cusco, hiper cansados, por volta de meia noite, pegamos um táxi (4 soles), porque o ônibus só nos leva até a Plaza de Armas e finalmente pudemos descansar.

Ficou só aquele pensamento na minha cabeça: como pudemos retroceder tanto?? Os incas estavam tão mais evoluídos que nós, pessoinhas briguentas, estressadas, egoístas... Hora de mudar, galera!